A recente intervenção do governo para tentar conter a queda do dólar e os sinais de tolerância com a inflação solapam as bases do modelo que sustenta a estabilidade da economia desde 1999

Uma dupla confusão
Há mais de uma década, o Brasil resiste às tormentas do sistema financeiro internacional e avança durante as bonanças com uma política econômica baseada em três pilares bem definidos: o câmbio flutuante, o controle da inflação pelo sistema de metas e a formação de superávit primário para o pagamento de juros da dívida. Uma das vantagens desse modelo é a sua clareza para orientar decisões de investidores e empresas. Desde o ano passado, porém, esse sistema tem sofrido uma gradual deterioração. Na última semana de julho, o governo deu sinais de que pelo menos duas pernas do tripé estão mais frágeis, a do câmbio flutuante e a das metas inflacionárias.
Na frente cambial é onde o governo tornou mais explícito seu desapego ao tripé macroeconômico. Sua medida mais recente foi a intervenção no mercado futuro de câmbio com a cobrança de 1% de impostos sobre operações financeiras nos negócios com dólar. Desde outubro, já foi feita uma dúzia de intervenções com o mesmo objetivo - até agora, sem sucesso. "Adotamos nos últimos meses uma espécie de regime cambial semiflexível", diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. É compreensível que o fortalecimento do real venha preocupando o governo. Afinal, o real forte virou uma pedra no sapato de milhares de empresas do país, seja pela dificuldade de exportar, seja pela concorrência com o produto
Um tripe bambo, aos poucos o governo está tirando o vigor dos três pilares que sustetam a política econômica.
Meta de inflação, o índice tem ficado perto do teto. E o governo indica que irá tolerar esse novo nível.