
Toque do celular do carioca Rafael
Malafaia - um ringtone com uma guitarra estridente - está sempre regulado no volume máximo. O objetivo é ser acordado a qualquer hora do dia ou da noite quando surge algum problema de trabalho. Malafaia é o responsável pelo planejamento das cargas transportadas pelo navio Jacarandá, da empresa de logística LogIn com sede no Rio de Janeiro. É ele que determina o local onde cada contêiner deve ser posicionado dentro do navio, de forma que na hora do desembarque, a operação seja a mais rápida possível. Trata-se de uma tarefa complicada, pois o Jacarandá carrega até 2 800 contêiners de 20 toneladas cada um.
Na madrugada de 24 de agosto, o celular de Malafaia não parou de tocar. Ele coordenava, de seu quarto no Jacarandá, a operação de partida do porto de Santos, o maior do país. A barulheira só cessou às 4h38 da manhã, quando navio saiu de Santos rumo a Paranaguá no Paraná. Irritado e com os olhos vidrados no computador, Malafaia desabafou: "Droga! deixamos muita carga no chão", referindo-se aos 142 contêineres deixados para trás, o equivalente a 30% da carga que deveria ter sido coletada no porto paulista.
A reportagem de EXAME acompanhou a viagem de seis dias do navios desde a parada anterior, no porto de Vitória até Itajaí, em Santa Catarina, passando por Santos e Paranaguá. O objetivo foi ver, de perto, como funcionam os portos mais importantes do país - a rota