
Ordem no tribunal
Reza um velho ditado que "A justiça tarda, mas não falha". Mas, devido à morosidade de boa parte das cortes do país, que submete cidadãos e empresas a anos de espera por uma sentença, no nosso caso a Justiça não só tarda como falha. Para escapar dessa sina, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul vem seguindo um programa de melhoria de gestão desde 2009 com o objetivo de eliminar desperdícios e tornar mais ágil o atendimento. A boa notícia é que o tribunal, assessorado pelo Instituto de Desenvolvimento Gerencial, comandado pelo guru da gestão Vicente Falconi, tem colhido resultados que vão da economia nos gastos de custeio ao aumento da rapidez na distribuição e no julgamento de processos.
A racionalização de tarefas já resultou num ganho de 120 milhões de reais. "Vamos usar os recursos no treinamento dos servidores e na compra de equipamentos para acelerar nossa informatização", diz Omar Amorim, diretor-geral do tribunal gaúcho. "A folga de caixa representa uma autonomia orçamentária inédita para o tribunal." Na ponta do usuário, a redução do tempo foi significativa. O indicador mais notável diz respeito à distribuição dos processos de segunda instância - os que, após um julgamento inicial, soferam uma apelação -, despachados das 14 comarcas do interior para a sede, em Porto Alegre. Antes, demorava 20 dias úteis para um processo chegar à mão do juiz responsável. Agora, o prazo é de apenas um dia.
De início, juízes e servidores resistiram à mudança. Mas aderiram à medida que perceberam o potencial de ganhos, inclusive no orçamento.