
Um país que rasga dinheiro
Um dos pilares da teoria econômica clássica é a constatação de que consumidores, empresários
e investidores são racionais - ou seja, após estudar as alternativas à sua frente, escolhem aquela
que mais os beneficia, pelo menor custo possível. Ninguém, em sã consciência, rasga dinheiro: os consumidores preferm os produtos
baratos aos mais caros, os empresários adoram ter lucro e detestam ter prejuizo e os investidores
procuram aplicar em empresas com maior, e não menor, potencial de crescimento. A genialidade do
escocês Adam Smith foi justamente notar que essa soma de racionalidade e egoísmo acaba sendo boa para todo mundo.
No século 19, foi cunhado um apelido para esse indivíduo guiado pelo bom-senso em suas decisões:
Homo economicus.
Pois, nos últimos anos, o Brasil vem dando uma contribuição aos livros-textos de economia.
A recente onda de crescimento do país deu origem ao que se poderia chamar de Homo economicus brasiliensis:
ele, ao contrário de seu primo racional, gosta mesmo é de gastar dinheiro.