Numa estimativa conservadora, essa é a quantia anual que corrupção rouba dos cofres públicos - e do crescimento econômico do Brasil
Formas de gastar o dinheiro público da corrupção
51 Bilhões de reais em maracutaia
As imagens de maços de dinheiro público sendo escondidos por servidores em caixas de papelão, meias e cuecas, os flagrantes de lobistas usando salas de ministérios e as conversas telefônicas que explicitam maracutaias são os sinais mais debochados e patéticos de um problema que parece ter se transformado em epidemia no Brasil. Nos últimos três meses, a presidente Dilma Rousseff se debate com uma sucessão de escândalos envolvendo membros do governo e de sua base aliada - incluindo os dois principais partidos de sustentação, o PT e o PMDB.
Nesse curto período de tempo, dois ministros caíram, Antônio Palocci, ex-Casa Civil, e Alfredo Nascimento, ex-Transportes, que levou consigo dezenas de funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Há alguns dias, Frederico Silva da Costa, secretário executivo de Turismo, foi preso pela Polícia Federal com mais 34 suspeitos de repassar verbas a ONGs fantasmas. Apesar de ninguém saber o que cresceu mais - se as falcatruas ou as denúncias sobre elas -, a sensação é que nunca se roubou tanto. Num país com enormes carências - que vão do saneamento básico ao transporte coletivo, das escolas e hospitais aos aeroportos, portos e estradas -, o desvio de dinheiro público para a corrupção é a mais deplorável e abjeta praga que enfrentamos.