
As cidades mortas
Dia sim, dia não, José Alex da Silva, de 25 anos, enfrenta com sua moto Honda de 150 cilindradas os 47 quilômetros da esburacada rodovia PE-95 entre Cumaru, sua cidade natal e Caruaru, polo econômico do interior de Pernambuco.
Alexandre trabalha como vigilante no Hospital Regional do Agreste. Há pouco mais de um ano, ele repete a jornada de 12 horas de trabalho em Caruaru, intercalada por 36 horas de descanso em Cumaru, município de 17.000 habitantes. "Não tem trabalho na minha cidade", diz Alexandre, casado e pai de uma menina de 5 meses. "Por isso, arrisco a vida na estrada".
Ele é um entre muitos. Diariamente, saem de Cumaru picapes carregadas com gente para trabalhar na construção ou no comércio de Caruaru, cidade de 315000 habitantes cuja população cresceu 24% na última década. Em Cumaru, ocorreu o inverso. Quase 10.000 pessoas deixaram o município, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, impondo uma redução de 37% à população.
Assim como Cumaru, centenas de pequenos municípios brasileiros estão morrendo. Das 5565 cidades do país, 1519 tiveram perda de população em uma década.