Brasília se torna o terceiro mercado do país
No centro do poder federal, o dinheiro público continua a ser a base de um padrão de vida que torna Brasília o terceiro mercado do país
Riqueza Chapa Branca

Em 1956, ao pisar pela primeira vez no cerrado goiano que daria lugar a Brasília, o então presidente Jucelino Kubitschek se viu tomado por uma inspiração épica. Mais tarde escreveu: "Deste Planalto Central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino". Antes, no final do século 19, o padre italiano Giovanni Bosco, que jamais veio ao Brasil, havia profetizado sobre "uma terra prometida, donde correrá leite e mel", cuja localização seria justamente onde hoje se ergue a capital federal. Os sonhos grandiosos de JK e dom Bosco, de certa forma, concretizaram-se. Brasília, nutrida por verbas cada vez mais gordas da União, é hoje um centro de poder que esbanja riqueza. Com apenas 1,4% da população do país, respponde por 4% do produto interno bruto. Na condição de unidade mais rica da federação, Brasília e suas 20 cidades-satélite desfrutam de uma renda per capita de 46.000 reais, quase o triplo da média nacional.

Pertencem às classes A e B 27% de seus 2,6 milhões de habitantes, uma elite proporcionalmente maior do que os 20% de São Paulo, o estado mais desenvolvido do país.
Brasília tem um peso na economia e no consumo superior ao de sua população no total nacional.
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