O Brasil e a crise
Mal recuperada do colapso de 2008, a economia mundial enfrenta outro período de incerteza, mas isso não é necessariamente ruim para o Brasil.

O Brasil e a crise
Os otimistas dirão que o comportamento maníaco depressivo das bolsas na segunda semana de agosto foi apenas um violento espasmo nos mercados financerios mundiais. Os pessimistas, que foi o marco inicial de uma temida nova catástrofe econômica, talvez tão grave quanto a de três anos atrás.
Embora nada tenha acontecido de fato, nenhum banco quebrou, nenhum país deixou de pagar o que devia, não se pode negar: estamos atravessando o momento mais delicado desde a crise global que eclodiu em 2008. Mas agora é diferente: esta é uma crise de confiança, mais especificamente na capacidade dos líderes das maiores economias do mundo de colocar suas contas em ordem. Barack Obama e a oposição republicana conseguiram um acordo de última hora para cortar o déficit dos Estados Unidos em até 2,4 trilhões de dólares em dez anos. Mas para muitos analistas, entre eles os da agência de avaliação de crédito Standard & Poor's, o número ficou muito aquém do esperado.
Na Europa, a economia alemã, motor do continente, dá sinais de fraqueza, e o governo tem de mostrar a destreza de um equilibrista para levar adiante o pacote de ajuda à Grécia e potencialmente à Espanha e à Itália - sem alienar seus eleitores, cada vez mais descontentes por ter de pagar a conta da irresponsabilidade fiscal dos outros.
Situação econômica do Brasil - uma crise branda nos países ricos não seria de todo ruim para o Brasil, porque ajudaria no controle da inflação. Por enquanto, esse é o cenário visto como mais provável pela maioria dos analistas, que esperam um crescimento do PIB de cerca de 3,5% neste ano. 351 bilhões de dólares é o total de reservas internacionais do Brasil hoje, 70% mais que em setembro de 2008.