
O carro do vizinho é melhor
A indústria automotiva brasileira vem colecionando recordes de vendas nos últimos anos. Em 2010, quando mais de 3,5 milhões de automóveis foram vendidos, o mercado brasileiro superou o alemão e tornou-se o quarto do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Japão. Os números merecem comemoração. Mas um olhar mais crítico sobre a competitividade e a qualidade de nossos automóveis revela que também há motivos para preocupação. A indústria brasileira começa a ficar obsoleta, a despeito de grandes investimentos anunciados recentemente por GM, Fiat, Toyota e outras montadoras. As fabricantes locais, graças a política de incentivo tributário e a acordos comerciaís, especializaram-se em fabricar veículos "populares": pequenos, com pouca tecnologia, com motor fraco e sem apelo comercial em outros mercados. O reflexo disso é que, além de poucos países se disporem a comprar automóveis feitos aqui, o próprio consumidor brasileiro em número crescente rejeita o produto nacional.
"Estamos vivendo a fase das 'neocarroças'", diz Rubens Barbosa, presidente do conselho de comércio exterior da Fiesp. "É preciso incentivar o desenvolvimento tecnológico e a competitividade antes que a indústria perca um bom momento para se modernizar".