As dificuldades das empresas para ter sucesso no mercado consumidor
Por que grandes empresas brasileiras ainda encontram dificuldades para
criar produtos e estratégias bem-sucedidas para o maior mercado consumidor do país

Está difícil atrair a classe C
Uma equipe de 15 gerentes da subsidiária brasileira da fabricante de produtos de higiene Kimberly-Clark,
com sede em São Paulo, partiu em janeiro para uma missão de resgate na periferia de Fortaleza, no
Ceará. Durante um mês, o grupo conversou com pequenos varejistas locais, treinou demonstradoras
em supermercados e promoveu encontros para falar sobre cuidados pessoais com moradores de bairros
pobres da região.
O objetivo era reanimar as vendas da fralda Mágica, lançada em outubro de 2009 para conquistar os
consumidores de baixa renda. O preço era 25% menor em relação ao modelo mais barato da empresa, em
boa parte graças a um inédito cinto elástico reutilizável. Criada nos laboratórios de inovação da Kimberly,
a Mágica parecia ser o ovo de colombo para conquistar o maior mercado do país. Faltou só combinar
com o consumidor. As vendas do produto chegaram apenas à metade do planejado - uma metade inicial
de 120 milhões de reais por ano.
Apesar do trabalho intensivo no Nordeste, que chegou a impulsionar em 20% as vendas na região, a
Kimberly decidiu tirar o produto do mercado em todo o país em julho, após quase dois anos de
tentativas.
"O investimento necessário
para relançar a fralda nacionalmente e explicar seu conceito aos consumidores tornaria o produto
inviável, por isso, que decidimos recuar e reavaliar o projeto", diz Marcos Antônio Iszlaji, diretor
de assuntos legais e corporativos da Kimberly-Clark.
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