A era das metas impossíveis
Para acelerar o crescimento, algumas grandes empresas brasileiras estão impondo objetivos inalcançáveis a seus executivos. O resultado não pode ser bom.

A era das metas impossíveis
"Quando aceitei dirigir uma das unidades de negócios de uma grande empresa brasileira, em janeiro do ano passado, estava animado pelo bônus de até seis salários extras que poderia ganhar se batesse a meta do aumento de vendas da minha área - um dos motivos que me convenceram a topar o desafio. Não medi esforços e os resultados começaram a aparecer. À medida que os meses passavem, a meta parecia mais e mais próxima de ser batida. Mas no início do segundo semestre veio a surpresa. Como eu, os executivos que estavam próximos dos resultados almejados tiveram suas metas mais que dobradas pela presidência. Só não alteraram os objetivos das áreas que estavam longe de atingilos.
A sensação foi a de que uma tremenda injustiça estava sendo cometida. Era como se estivéssemos todos tentando correr num campo de areia movediça. Quanto mais perto chegávamos dos objetivos, mais distantes eles ficavam. Ainda assim consegui elevar as vendas da unidade a um patamar quatro vezes maior do que o combinado inicialmente. Mesmo com esse esforço, em abril deste ano recebi como bônus referente ao desempenho de 2010 pouco mais de um salário. Isso acontece porque a empresa considerou a meta definida no segundo semestre para recompensar toda equipe. Isso é meritocracia?"
O depoimento que você acaba de ler, feito por um alto executivo que pediu anonimato,
Pesquisa realizada pelo Hay Group com 50 grandes empresas brasileiras mostra que as metas ficam mais altas. 80% das empresas disseram que as metas estão mais altas do que no ano anterior e reconhecem que estabelecem desafios intensos aos funcionários
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